Resumo rápido
- Num novo estudo da Muck Rack, mais de 84% das fontes citadas pelo ChatGPT, Claude, Gemini e Perplexity são media conquistados e conteúdos de terceiros. A publicidade paga fica nos 0,3%.
- As respostas mudam muito de um dia para o outro: o ChatGPT só repete 41% dos sites citados quando se faz a mesma pergunta duas vezes no mesmo dia.
- Para uma PME, a conclusão é prática: ser falado por outros (imprensa, associações, parceiros, comparativos) pesa mais do que falar de si próprio. E medir a presença nas IA com uma única pergunta não chega.
Quando alguém pergunta ao ChatGPT “qual a melhor empresa de contabilidade em Braga?” ou “que software de faturação devo usar?”, a resposta vem acompanhada de fontes. Essas fontes, as citações, decidem quem aparece e quem fica de fora. A Muck Rack, empresa americana de software de relações públicas, publicou a 28 de outubro de 2026 a quarta edição do relatório What Is AI Reading? (“O que está a IA a ler?”). Os números confirmam uma tendência que já se adivinhava e trazem dados novos que ajudam a decidir onde investir.
Termos usados neste artigo
GEO (Generative Engine Optimization) é o trabalho de tornar uma marca visível e citada nas respostas de motores de IA como o ChatGPT, o Gemini ou o Perplexity. AEO (Answer Engine Optimization) é um conceito muito próximo, focado em ser a resposta direta a uma pergunta. Earned media (media conquistados) são as menções que a marca não paga nem publica: notícias, artigos de opinião, entrevistas, comparativos e listas feitos por terceiros. Owned media (media próprios) são os canais da própria marca, como o site, o blogue ou a newsletter.
O que o estudo encontrou
O relatório junta dados de mais de 40 milhões de respostas de IA e 207 milhões de citações recolhidas em 2026. Inclui também um teste feito em setembro com 1020 perguntas, repetidas no ChatGPT, Claude, Gemini e Perplexity.
| Tipo de fonte citada | Peso nas citações |
|---|---|
| Conteúdo corporativo de terceiros (sites de outras empresas) | 25,1% |
| Jornalismo | 22% |
| Agregadores e enciclopédias (ex.: Wikipédia) | 18,3% |
| Media próprios da marca | 15,2% |
| Governo e ONG | 9,6% |
| Investigação académica | 4,4% |
| Conteúdo pago e advertoriais | 0,3% |
Fonte: Muck Rack, Generative Pulse, outubro de 2026. Os valores não somam 100% porque o relatório não detalha todas as categorias.
Três leituras rápidas:
- Pagar não compra citações. Os advertoriais e conteúdos patrocinados ficam nos 0,3%, o mesmo valor de maio. Um exemplo do próprio relatório: nas citações do ChatGPT a artigos da Forbes, o conteúdo editorial supera o programa pago de colunistas (Councils) por cerca de 1,7 para 1.
- O site da marca está a ganhar peso, mas continua minoritário. Os media próprios subiram de 13,7% para 15,2%. O site conta, mas sozinho não chega.
- O jornalismo perdeu espaço, sobretudo no ChatGPT. O peso das notícias caiu de 27% para 22%. No ChatGPT passou de 28,1% em janeiro para 22% em setembro, enquanto subiram as fontes de empresas, de entidades públicas e de enciclopédias.
As respostas da IA são instáveis (e isso muda a forma de medir)
O dado mais útil para quem acompanha a visibilidade de uma marca é o da consistência. Quando a mesma pergunta foi feita duas vezes no mesmo dia:
- o ChatGPT repetiu apenas 41% dos sites citados;
- o Gemini repetiu 45%;
- o Perplexity repetiu 94%.
Além disso, só 212 domínios foram citados pelos quatro motores. Cada IA tem as suas fontes preferidas.
Na prática, perguntar uma vez ao ChatGPT “a minha marca aparece?” e tirar conclusões é como medir o trânsito de uma estrada olhando para ela durante cinco segundos. O retrato muda de minuto para minuto. A forma certa é repetir cada pergunta várias vezes ao longo do período, olhar para a mediana e acompanhar a tendência, separando o que é citação do site próprio do que é citação de terceiros.
Bloquear os robôs da IA tem um custo
O relatório analisou também grandes editores de notícias e o robô de pesquisa do Claude (o programa que visita sites para alimentar as respostas). Entre os editores que bloqueiam este robô, 81% quase não recebem citações no Claude. Entre os que permitem o acesso, essa percentagem desce para 12%.
Muitos sites bloqueiam estes robôs sem saber, por uma regra antiga no ficheiro robots.txt, por um plugin de segurança ou por uma configuração da Cloudflare. Vale a pena confirmar.
O que uma PME portuguesa pode fazer a partir de amanhã
- Dar razões para outros falarem de si. Dados próprios, um estudo pequeno do seu setor, um caso concreto ou uma opinião com substância interessam à imprensa regional e setorial, que tem muito mais peso do que um post patrocinado.
- Estar onde as IA vão buscar comparações. Associações empresariais, diretórios do setor, sites de parceiros, listas de “melhores fornecedores” e comparativos independentes contam como fontes de terceiros. Uma ficha completa e atualizada nesses sites vale mais do que se imagina.
- Tratar o site como fonte, não como montra. As páginas que as IA citam respondem a perguntas concretas: preços de referência, processos explicados passo a passo, perguntas frequentes com resposta direta na primeira frase, dados com data.
- Confirmar que os robôs da IA conseguem entrar. Rever o robots.txt e as regras de firewall para os robôs do ChatGPT (OAI-SearchBot), Claude (Claude-SearchBot), Perplexity (PerplexityBot) e Google.
- Medir com método. Escolher 20 a 50 perguntas que os seus clientes fariam, repeti-las várias vezes por período em mais do que um motor e acompanhar a mediana. Uma captura de ecrã isolada não serve de prova.
- Não gastar em advertoriais à espera de citações. Se o objetivo é aparecer nas respostas de IA, o dinheiro rende mais em relações com a imprensa, conteúdo útil e parcerias.
Limitações a ter em conta
O estudo é feito por uma empresa que vende software de relações públicas, por isso tem interesse em mostrar o peso dos media conquistados. As perguntas e as fontes são sobretudo do mercado americano. Em português, e em setores com menos imprensa especializada, a distribuição pode ser diferente. A direção, porém, é a mesma de outros estudos publicados este ano.
Perguntas frequentes
Publicar mais artigos no blogue da empresa chega para aparecer no ChatGPT?
Não chega. Os media próprios representam cerca de 15% das citações, por isso o blogue ajuda, mas a maior parte das fontes vem de terceiros que falam da marca ou do setor.
Pagar um artigo patrocinado num jornal ajuda a ser citado pela IA?
Muito pouco. O conteúdo pago representa 0,3% das citações, segundo a Muck Rack, e nas citações da Forbes o conteúdo editorial supera o pago por cerca de 1,7 para 1.
Porque é que a minha marca aparece num dia no ChatGPT e no outro não?
Porque as respostas variam muito: o ChatGPT só repete 41% dos sites citados quando a mesma pergunta é feita duas vezes no mesmo dia. É preciso medir com várias repetições e olhar para a tendência.
Devo bloquear os robôs da IA no meu site?
Só se não quiser aparecer nessas respostas. Entre os grandes editores que bloqueiam o robô de pesquisa do Claude, 81% quase não recebem citações nesse motor.
Conclusão
A visibilidade nas respostas de IA depende cada vez mais do que os outros dizem sobre a sua marca e cada vez menos do que a marca diz sobre si própria. Para uma PME isto é uma boa notícia: não é preciso o orçamento de uma multinacional, é preciso ser útil, estar presente nos sítios certos e ter alguém a falar de si com credibilidade.
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Fontes: Muck Rack / Generative Pulse, comunicado de 28 out. 2026 · Agile Brand Guide, resumo de 29 out. 2026
Artigo publicado em jorgerosendo.com · Marketing com IA, SEO e GEO para empresas e marcas.