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Estar em 1.º no Google já não chega: o que 190 milhões de pesquisas revelam sobre 2026

Consultor de marketingPublicado a
Troféu dourado sozinho numa sala escura e vazia — estar em primeiro lugar já não chega

Neste artigo

Resposta direta

Em dois anos, os AI Overviews — as respostas geradas por inteligência artificial no topo do Google — passaram de 5,93% para 61,43% das pesquisas analisadas. Quando aparecem, ficam com 42% a 45% dos cliques, e o primeiro resultado orgânico no desktop, que há um ano recebia 17,83% dos cliques, recebe hoje 7,43%. Os números vêm do maior estudo de pesquisa publicado em 2026, da DataForSEO: 190 milhões de palavras-chave, 138 milhões de respostas de AI Overviews e 27,5 milhões de respostas do ChatGPT. A conclusão para quem gere um negócio é direta: o SEO continua a contar, mas estar bem posicionado deixou de ser sinónimo de ser visto. A sua marca precisa de aparecer — e de ser citada — nas respostas da IA. Este trabalho tem nome: GEO (Generative Engine Optimization).

O relatório que devia estar na mesa de todas as reuniões de marketing

O seu site pode estar em 1.º lugar no Google e, ainda assim, receber menos de metade dos cliques que recebia há um ano. Não é azar. Não é um problema do seu site. E não é uma opinião: são 190 milhões de pesquisas a prová-lo.

Em outubro de 2026, a DataForSEO — a empresa que fornece dados de pesquisa a grande parte do software de SEO que existe no mercado — publicou o Search Insider 2026, a maior análise do ano sobre o que está a acontecer ao Google e à pesquisa com IA. Li o relatório de uma ponta à outra e separei o que interessa a quem decide: donos de negócios, diretores de marketing e de vendas.

Aviso desde já: os dados dizem respeito aos Estados Unidos e a pesquisas em inglês. Volto a este ponto mais à frente, porque é precisamente aí que está a sua oportunidade.

A queda que quase ninguém viu a tempo

Comecemos pelo número que resume tudo. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, a taxa de cliques (CTR, a percentagem de pessoas que clica num resultado depois de pesquisar) do primeiro lugar do Google no computador caiu de 17,83% para 7,43%. O segundo lugar caiu ainda mais: de 15,27% para 3,07% — em termos práticos, perdeu 80% dos cliques num ano.

CTR orgânico no desktop · EUA % de cliques no resultado, set 2025 → ago 2026 Posição 1 17,83% · set 2025 7,43% · ago 2026 (−10,41 pp) Posição 2 15,27% · set 2025 3,07% · ago 2026 (−12,20 pp) No telemóvel, a posição 1 caiu apenas 4,37 pp (25,17% → 20,80%) e a posição 2 até subiu 0,53 pp.
A queda do CTR no desktop num ano. Fonte: DataForSEO, Search Insider 2026 — dados dos EUA. Gráfico: jorgerosendo.com

No telemóvel, a história é diferente: a posição 1 desceu pouco e a posição 2 até subiu ligeiramente. A carnificina é no computador.

E isto tem uma leitura de negócio imediata: quem pesquisa no computador é, em grande parte, quem está a trabalhar — o comprador B2B, o diretor que compara fornecedores, o técnico que avalia software. Se vende a empresas, é exatamente o seu cliente que deixou de clicar.

A explicação tem nome: AI Overviews

O que mudou? Entre setembro de 2024 e agosto de 2026, a presença de AI Overviews nas pesquisas analisadas passou de 5,93% para 61,43%. Dez vezes mais em dois anos.

E quando a resposta da IA aparece, o relatório estima que ela fique com 42% a 45% dos cliques — através dos links que cita —, enquanto o primeiro resultado orgânico cai de 33–38% para 21–24% dos cliques. As posições 2 a 10 perdem, em conjunto, 36% a 42% dos cliques que tinham. E isto acontece de forma consistente em todos os tipos de pesquisa: informacional, comercial, transacional e navegacional.

O que mudou no Google em dois anos % das pesquisas com cada formato · set 2024 → ago 2026 · EUA AI Overviews 5,9% 61,4% Pack local 20,0% 26,0% Vídeos 9,7% 20,0% Fóruns e discussões 21,1% 7,4% Featured snippets 9,0% 0,4% Ponto pequeno: set 2024 · Ponto grande: ago 2026
Os AI Overviews multiplicaram por dez; os featured snippets praticamente desapareceram; a pesquisa local resiste. Fonte: DataForSEO, Search Insider 2026. Gráfico: jorgerosendo.com

No mesmo período, outros formatos clássicos mexeram-se:

  • Os featured snippets praticamente morreram — de 8,96% para 0,44%. O formato que tantas equipas passaram anos a otimizar desapareceu em silêncio, substituído pela resposta da IA.
  • Os vídeos duplicaram — de 9,67% para 19,98% das pesquisas.
  • Os fóruns e discussões caíram — de 21,13% para 7,42% como bloco próprio nos resultados.
  • O pack local resiste e cresce — de 19,98% para 25,99%. Boa notícia para negócios físicos: a pesquisa local continua a ser território defensável.

Mais um dado que deita por terra uma ideia confortável: as palavras-chave caras não estão protegidas. Keywords que custam mais de 5 dólares por clique em publicidade disparam AI Overviews em 49,55% dos casos — praticamente o mesmo que as keywords baratas (50,54%). E nas pesquisas com intenção comercial — quem está a comparar para comprar — a taxa de AI Overviews quase duplicou num ano: de 26,30% para 51,35%.

O seu setor está na linha da frente?

A exposição à IA não é igual para todos. A diferença entre o setor mais exposto e o menos exposto é de 47 pontos percentuais.

Pesquisas com resposta de IA, por setor % das pesquisas do setor que mostram um AI Overview · Q3 2026 · EUA Saúde 69,7% Finanças 68,8% Família e Comunidade 68,6% Informática e Eletrónica 67,3% Média e Publicações 65,5% Vestuário 37,5% Restauração e Vida Noturna 29,4% Imobiliário 22,3% média geral: 56,7%
Saúde e finanças no topo; imobiliário e restauração ainda protegidos — por agora. Fonte: DataForSEO, Search Insider 2026. Gráfico: jorgerosendo.com
  • Saúde (69,7%), Finanças (68,8%), Família e Comunidade (68,6%), Informática e Eletrónica (67,3%): nestes setores, 7 em cada 10 pesquisas já mostram uma resposta de IA antes de qualquer resultado orgânico.
  • Imobiliário (22,3%), Restauração e Vida Noturna (29,4%), Vestuário (37,5%): ainda relativamente protegidos — a IA responde menos quando a decisão é local, visual ou muito pessoal.

Se o seu negócio vive de explicar, aconselhar ou comparar — clínicas, consultores financeiros, software, seguros, formação —, a IA já está a responder aos seus clientes antes de eles chegarem ao seu site. Se está no imobiliário ou na restauração, tem mais tempo. Mas repare na direção do movimento: todos os setores subiram. Nenhum desceu.

Quem é que a IA cita? (prepare-se para a surpresa)

Aqui está o dado que muda estratégias. Fui ver quem os AI Overviews do Google mais citam, e o pódio não tem nenhuma “empresa concorrente”:

Quem a IA mais cita Citações aos domínios · ago 2025 – set 2026 · escalas diferentes em cada painel Google AI Overviews YouTube 51,9M Reddit 25,1M Facebook 20,4M Wikipedia 19,9M Google 15,9M ChatGPT Wikipedia 4,88M Reddit 3,25M Fandom 670K Britannica 486K NIH 476K O YouTube, 1.º no Google, é apenas 19.º no ChatGPT. O LinkedIn é 24.º no Google e não entra no top 30 do ChatGPT.
Cada plataforma de IA tem as suas fontes preferidas — aparecer numa não garante aparecer na outra. Fonte: DataForSEO, Search Insider 2026. Gráfico: jorgerosendo.com

No Google, lideram o YouTube (51,9 milhões de citações), o Reddit (25,1M), o Facebook (20,4M), a Wikipedia (19,9M) e o próprio Google (15,9M). Seis dos dez domínios mais citados são plataformas de vídeo, redes sociais ou comunidades.

No ChatGPT, o padrão é outro: lideram a Wikipedia (4,88M) e o Reddit (3,25M), seguidos de sites de referência e imprensa — Britannica, NIH, Healthline, Reuters, The Guardian. O YouTube, rei absoluto no Google, é apenas 19.º no ChatGPT.

Três leituras práticas:

  1. O seu concorrente pela visibilidade já não é só outra marca — é um thread do Reddit, um vídeo no YouTube, um artigo na Wikipedia. O Reddit, aliás, aparece no top 10 do Google em 32,15% das pesquisas analisadas: uma em cada três. Oito vezes mais do que o Quora.
  2. Cada plataforma de IA tem as suas fontes preferidas. Aparecer no Google AI não garante aparecer no ChatGPT, e vice-versa. São dois trabalhos de visibilidade, não um.
  3. Uma nota para quem aposta tudo no LinkedIn (como eu): o LinkedIn é apenas o 24.º domínio mais citado nos AI Overviews e nem aparece no top 30 do ChatGPT. O que publica lá constrói audiência e relações — mas quase não entra nas respostas da IA. O seu site, sim.

E há um número ainda mais importante: o ChatGPT responde sem citar nenhuma fonte em 27,3% dos casos (nos AI Overviews do Google, isso só acontece em 0,7%). Ou seja, mais de um quarto das vezes, o ChatGPT responde “de memória” — com o que aprendeu sobre as marcas durante o treino. Se a sua marca não está presente nos sítios onde os modelos aprendem — o seu site, a imprensa, as comunidades, a Wikipedia —, não há link que a salve: simplesmente não existe na resposta.

E os backlinks? Contam — mas não é como lhe andam a vender

Com tanta mudança, havia a tentação de declarar morto o SEO clássico. Os dados dizem o contrário — com nuances importantes.

Os sites em 1.º lugar no Google têm, na mediana, mais 31% de domínios a apontar para eles (111 contra 85 das posições 4–10). E nos AI Overviews, os sites citados para as palavras-chave mais competitivas têm 5,6 vezes mais domínios de referência do que os citados para as mais fáceis. A correlação entre domínios de referência e citações pela IA é moderada e consistente: 0,406 no Google e 0,377 no ChatGPT.

Mas atenção a dois pontos que o próprio relatório sublinha:

  • Correlação não é causalidade. Ter mais links está associado a mais citações; ninguém provou que comprar links produz citações.
  • A diversidade vale mais do que o truque. A relação é mais forte com o número total de domínios de referência do que com links vindos de comunidades (os chamados links UGC, de user-generated content — conteúdo criado por utilizadores em fóruns e redes). Quem lhe vender “pacotes de links no Reddit” como atalho para a IA está a vender-lhe a parte fraca do sinal.

A tradução prática: continue a merecer links de fontes variadas e relevantes — imprensa, parceiros, diretórios do setor, comunidades onde participa de forma útil. É o perfil completo que está associado à visibilidade, não o atalho.

«Mas isto são os Estados Unidos…»

É verdade — e é essa a sua sorte. O estudo analisa pesquisas em inglês nos Estados Unidos, o mercado onde o Google testa e lança tudo primeiro. Os AI Overviews já aparecem nas pesquisas em Portugal, e o padrão de adoção tem sido sempre o mesmo: o que acontece lá chega cá, com meses de desfasamento.

Esses meses são a sua janela. A maioria dos seus concorrentes ainda está a otimizar para um Google que está a desaparecer. Quem preparar a marca agora — conteúdo citável, presença nas fontes certas, medição da visibilidade em IA — entra na nova fase com avanço, em vez de acordar quando os cliques já caíram.

O que fazer já: 5 prioridades para o seu negócio

O relatório termina com cinco prioridades para profissionais de SEO e GEO. Traduzo-as para o dia a dia de uma empresa portuguesa:

  1. Olhe para além do seu site. Pesquise as suas 5 palavras-chave mais importantes e veja quem aparece: que vídeos, que threads, que artigos a IA cita. É essa a sua verdadeira concorrência pela atenção.
  2. Leve o Reddit e as comunidades a sério. Com presença em 1 de cada 3 pesquisas, o Reddit deixou de ser opcional — e em Portugal some-lhe os fóruns e grupos onde o seu setor conversa. Veja o que perguntam, que marcas recomendam, e participe com utilidade real (não com spam, que as comunidades expulsam).
  3. Construa um perfil de links diversificado, não atalhos. Menções na imprensa do setor, parcerias, associações, casos de estudo partilháveis. Fuja de quem vende volume.
  4. Avalie a concorrência em SEO e em GEO separadamente. O que funciona no Google AI não é o que funciona no ChatGPT. Faça o levantamento nos dois.
  5. Meça a visibilidade em todas as superfícies — não só o ranking. Posições no Google, citações nas respostas da IA e menções à marca contam histórias diferentes. Para este trabalho uso a Neural Ranks, uma ferramenta de monitorização de visibilidade em IA que ajudei a criar (transparência total) — permite ver se a sua marca aparece, onde, e que fontes alimentam as respostas, para agir sobre elas.

Conclusão: o ranking era o jogo. Agora é metade dele.

Durante vinte anos, a pergunta do marketing digital foi “em que posição estou no Google?”. Os dados de 2026 mostram que essa pergunta, sozinha, já não mede o que interessa. A pergunta completa passou a ser: quando alguém pesquisa o que eu vendo — no Google, no ChatGPT, no Gemini —, a minha marca faz parte da resposta?

Se não sabe a resposta, é por aí que se começa: peça um diagnóstico de visibilidade em IA e veja, preto no branco, onde a sua marca aparece (e onde não aparece) antes de decidir onde investir. E se quer perceber o caminho completo, comece por como aparecer no ChatGPT e por se vale a pena investir em GEO.

O Google mudou mais nos últimos dois anos do que nos dez anteriores. Os dados estão à vista. A única decisão errada é fingir que nada aconteceu.

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Perguntas frequentes

O que são os AI Overviews do Google?

São as respostas geradas por inteligência artificial que aparecem no topo dos resultados do Google, antes dos links tradicionais. Resumem a resposta à pesquisa e citam algumas fontes. Segundo o estudo da DataForSEO, em agosto de 2026 apareciam em 61,43% das pesquisas analisadas nos EUA — dez vezes mais do que dois anos antes.

O SEO morreu? Ainda vale a pena investir em 2026?

Vale — mas com objetivos atualizados. Os dados mostram que sites bem posicionados e com bons perfis de links continuam associados a mais visibilidade, incluindo nas respostas da IA (correlação de 0,406 no Google AI e 0,377 no ChatGPT). O que mudou é que o ranking deixou de garantir o clique: o SEO passa a ser a base sobre a qual se constrói a visibilidade em IA (GEO), não o fim em si.

Como sei se o meu setor já é muito afetado pelas respostas de IA?

Os setores mais expostos são saúde (69,7% das pesquisas com resposta de IA), finanças (68,8%), família e comunidade (68,6%) e tecnologia (67,3%). Os menos expostos são imobiliário (22,3%), restauração (29,4%) e vestuário (37,5%). O teste prático: pesquise no Google as 5 perguntas que os seus clientes mais fazem e conte quantas mostram uma resposta de IA no topo.

Como faço a minha marca aparecer nas respostas do ChatGPT e do Google?

Três frentes: um site tecnicamente acessível aos robôs de IA, com conteúdo claro e citável (resumos diretos, dados, FAQ); presença nas fontes que cada plataforma prefere — YouTube e comunidades para o Google, Wikipedia, imprensa e sites de referência para o ChatGPT; e menções consistentes à marca em sites de terceiros. O processo completo está explicado em como aparecer no ChatGPT.

Como meço se a minha marca aparece nas respostas da IA?

Com monitorização regular: definir as perguntas que os clientes fazem, verificar em cada plataforma (ChatGPT, Gemini, Perplexity, Google AI) se a marca aparece e que fontes são citadas, e acompanhar a evolução ao longo do tempo. Ferramentas como a Neural Ranks — que ajudei a criar — automatizam este processo e mostram que fontes alimentam as respostas em cada tema.

Fonte: Search Insider: 2026 Edition — DataForSEO, outubro de 2026. Estudo com 190 milhões de palavras-chave, 138 milhões de respostas de AI Overviews, 27,5 milhões de respostas do ChatGPT e mais de mil milhões de URLs de backlinks. Dados dos EUA, pesquisas em inglês.

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