O LinkedIn é o canal onde mais se nota a diferença entre usar a IA bem e usá-la mal. Bem usada, ajuda a publicar com regularidade, a responder a comentários e a preparar abordagens comerciais. Mal usada, produz aquele conteúdo genérico que toda a gente reconhece à primeira linha.
O LinkedIn Agent é um conjunto gratuito de 11 skills para o Claude Code (e para o Claude em geral) pensado para o primeiro caso: dar método ao trabalho no LinkedIn, sem automatizar a conta. Testei o que faz, como se instala e, sobretudo, o que é preciso ajustar para quem escreve em português de Portugal.
Termos usados neste artigo
- Skill: ficheiro de instruções que ensina o Claude a executar uma tarefa com um método definido.
- Claude Code: a versão do Claude que trabalha em ficheiros e pastas do seu computador.
- Ficheiro de voz: documento que descreve como escreve (ritmo, expressões, palavras a evitar, público), lido pelas skills antes de escrever.
- Humanizador: ferramenta que analisa um texto à procura de marcas típicas de escrita gerada por IA.
- Social selling: usar a presença nas redes sociais para criar relações que levam a vendas.
Se procura a estratégia por trás disto, publiquei um artigo sobre como gerar leads B2B no LinkedIn com IA sem parecer um robô. Este é o complemento prático.
O que é
- Repositório:
Jakeschincariol/linkedin-agent-skill, de Jake Schincariol. - Licença: MIT (gratuito, pode ser adaptado).
- Popularidade: cerca de 2,4 mil estrelas no GitHub em outubro de 2026.
- Sem chaves de API e sem registo.
O ponto mais importante: as skills não publicam nada no LinkedIn. Cada uma termina com um bloco pronto a copiar, que cola manualmente. O próprio repositório explica que não existe API oficial para publicar em perfis pessoais sem uma app parceira aprovada e que automatizar o site com navegadores ou ferramentas externas viola o Contrato de Utilizador do LinkedIn e pode levar à restrição da conta. A aprovação humana é intencional.
As 11 skills
| Skill | O que faz |
|---|---|
/li-post | Transforma uma ideia em três opções de gancho e um rascunho completo |
/li-comment | Propõe comentários para publicações de outras pessoas, escolhendo entre nove tipos |
/li-reply | Classifica os comentários nas suas publicações e propõe respostas por prioridade |
/li-profile | Avalia o perfil de 0 a 100 numa grelha de 12 critérios e reescreve as partes mais fracas |
/li-plan | Plano semanal: o que publicar, quando, e 10 pessoas com quem interagir |
/li-human | Limpa rascunhos e avalia-os com dois scripts locais |
/li-carousel | Texto slide a slide e capa para publicações em formato documento |
/li-repurpose | Transforma um vídeo, newsletter ou transcrição numa semana de publicações |
/li-dm | Nota de convite, primeira mensagem e dois seguimentos |
/li-inbox | Classifica as mensagens recebidas e assinala sequências automáticas |
/li-audit | Analisa publicações antigas por taxa de interação e alcance |
Todas leem o mesmo ficheiro de voz. É ele que faz a diferença entre um texto genérico e um texto que soa a si.
Instalação
No Claude Code, como plugin:
/plugin marketplace add Jakeschincariol/linkedin-agent-skill
/plugin install linkedin-agent
Ou manualmente:
git clone <https://github.com/Jakeschincariol/linkedin-agent-skill.git>
cp -r linkedin-agent-skill/skills/li-* ~/.claude/skills/
Sem o Claude Code, pode colar o conteúdo de uma skill numa conversa no claude.ai, mas os scripts de análise (/li-human) não correm.
Passo essencial: o ficheiro de voz
Antes de qualquer outra coisa, crie o ficheiro de voz em ~/.claude/linkedin/voice.md. A forma mais rápida:
Cria o meu ficheiro de voz para o LinkedIn a partir destas três publicações minhas: [colar].
Inclui: ritmo das frases, como costumo abrir, palavras que uso e que evito, o meu público e o que vendo.
Acrescenta estas regras:
- Escrevo em português de Portugal, com o Acordo Ortográfico em vigor. Nunca usar termos do português do Brasil.
- Não uso emojis em listas nem perguntas genéricas no fim ("Concordas?").
Mostra-me o ficheiro antes de o gravar.
Escolha as três publicações que mais soam a si, não as que tiveram mais gostos.
Os usos mais úteis para gestores e equipas comerciais
1. Publicações com substância
/li-post
Ideia: [uma opinião ou aprendizagem real], com este facto: [um dado ou caso concreto da sua experiência].
Dá-me três ganchos e um rascunho. Onde faltar um número, deixa um marcador. Não inventes nada.
As skills estão desenhadas para não inventar métricas, clientes ou resultados: quando falta informação, deixam um marcador. Mesmo assim, reveja cada afirmação antes de publicar.
2. Comentários que geram conversa
/li-comment é provavelmente a skill mais subestimada. Comentar bem nas publicações de potenciais clientes e parceiros gera mais contactos qualificados do que publicar todos os dias. Cole a publicação e peça duas opções de comentário.
3. Rever o perfil antes de uma campanha comercial
/li-profile dá uma nota por critério e reescreve as secções mais fracas. A nota depende do que cola: recomendações, imagem de capa e histórico de publicações não se resolvem com texto, por isso não espere chegar aos 100.
4. Mensagens de abordagem
/li-dm escreve convite, primeira mensagem e seguimentos. A própria skill recomenda não enviar mais de 20 convites por dia e não automatizar o envio. Siga essa regra: no B2B português, o mercado é pequeno e uma abordagem agressiva fica na memória.
O que falha em português (e como contornar)
O humanizador foi feito para inglês. As verificações de /li-human (variação do ritmo, especificidade, densidade de clichés, padrões típicos de IA) usam listas de expressões em inglês. Em português:
- deixa passar clichés de IA comuns em português (“no mundo atual”, “em suma”, “é fundamental”);
- pode avaliar mal a “voz”, porque compara com padrões ingleses;
- em alguns casos, pode sugerir substituições por termos em inglês.
Como contornar: use a nota do humanizador apenas como indicação e acrescente ao seu ficheiro de voz uma lista própria de expressões a evitar em português. Por exemplo:
## Expressões a evitar
- "No mundo atual", "nos dias de hoje", "em suma", "é crucial", "é fundamental"
- "Não é apenas X, é Y"
- Listas de três adjetivos seguidos
- Perguntas genéricas no fim ("E tu, o que achas?")
Os ganchos seguem fórmulas anglo-saxónicas. Algumas traduzidas à letra soam exageradas para o público português, sobretudo em B2B. Escolha os ganchos mais sóbrios.
Variante de português. Sem instrução explícita no ficheiro de voz, o resultado pode misturar português do Brasil (“time”, “planilha”, “tela”). A regra no ficheiro de voz resolve a maioria dos casos.
Vale a pena?
Sim, se:
- já usa o Claude Code ou está disposto a instalá-lo;
- tem algo concreto para dizer e precisa de método e regularidade;
- quer apoio em comentários, respostas e abordagens, não apenas em publicações.
Não, se:
- procura uma ferramenta que publique sozinha (e não devia: é contra as regras do LinkedIn);
- espera que a IA crie a substância por si. Sem experiência real, nenhuma skill salva o conteúdo.
A regra que defendo para o LinkedIn mantém-se: a substância é sua, a IA ajuda na forma e na regularidade.
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Informação verificada em outubro de 2026 no repositório oficial. O projeto pode mudar: confirme sempre as instruções atuais.