A maioria das empresas usa o Claude como um motor de pesquisa com conversa: abre, pergunta, copia a resposta e fecha. Cada conversa começa do zero e o resultado depende de quem escreveu o pedido nesse dia.
Configurar o Claude uma vez, com o contexto da empresa, regras e exemplos, faz com que qualquer pessoa da equipa obtenha respostas mais consistentes. Não precisas de programar nem de comprar nada além da subscrição. Precisas de 45 minutos e de ter à mão alguns documentos que a empresa já tem.
Antes de abrir o Claude: junta cinco coisas
A qualidade da configuração depende do material que lhe dás. Reúne:
- Uma descrição curta da empresa: o que vende, a quem e porquê és diferente.
- O perfil do cliente ideal e as três perguntas que mais ouves antes de uma venda.
- Dois ou três textos teus que representem bem o tom da marca (um email, um artigo, uma publicação).
- A lista de preços ou serviços, se puder ser partilhada.
- As regras do que nunca pode ser dito ou prometido (garantias, prazos, comparações com concorrentes).
Não incluas dados pessoais de clientes, contratos confidenciais nem credenciais. Se tiver dúvidas sobre o que pode sair da empresa, decide isso antes de carregares o que quer que seja.
Passo 1: cria um projeto por área, não um por tarefa
Um projeto (Project) é um espaço com instruções e ficheiros próprios, onde as conversas partilham o mesmo contexto. Começa com um só, o que te poupa mais tempo: Marketing e comunicação. Mais tarde podes criar outro para vendas ou atendimento.
Dá-lhe um nome claro, por exemplo “Marketing – [nome da empresa]”. Quem abrir o projeto daqui a seis meses tem de perceber para que serve.
Passo 2: escreve as instruções do projeto
É o passo mais importante. Usa esta estrutura e adapta-a:
ContextoTrabalhas com a equipa de marketing da [empresa], que vende [produto/serviço]a [tipo de cliente] em Portugal.TomPortuguês de Portugal. Claro, direto e profissional, sem exageros nem jargão.Trata o leitor por "tu" / "você" (escolhe um e mantém).Regras- Não inventes dados, preços, prazos nem resultados de clientes.- Se faltar informação, pergunta antes de escrever.- Não faças promessas de resultados garantidos.- Marca com [A CONFIRMAR] qualquer afirmação que precise de validação.Formato- Começa pela resposta; depois justifica.- Propostas de texto: apresenta uma versão, não várias, salvo pedido.Antes de terminaresIndica em duas linhas o que a pessoa deve verificar antes de publicar.
A última secção é a que mais se nota na prática. Obriga o Claude a apontar os pontos fracos do próprio texto, em vez de os esconder atrás de um tom confiante.
Passo 3: carrega os ficheiros de conhecimento
Acrescenta ao projeto os documentos que reuniste: descrição da empresa, perfil de cliente, exemplos de tom e regras. Prefere poucos ficheiros curtos e atualizados a muitos documentos antigos e contraditórios.
Dá nomes que expliquem o conteúdo, como tom-de-voz.pdf ou servicos-e-precos-2026.pdf. Se dois ficheiros se contradisserem, o Claude pode seguir qualquer um deles.
Passo 4: define o que ele deve lembrar e o que não deve
Cada projeto mantém o seu contexto separado do resto, o que ajuda a evitar que informação de uma área apareça noutra. Verifica nas definições da tua conta o que está ativo em matéria de memória e de utilização de dados. As opções variam consoante o plano (pessoal, equipa ou empresa), por isso confirma o que o teu plano oferece antes de decidires o que carregar.
Passo 5: liga ferramentas só se houver necessidade
Ligar o Gmail, o Calendário, o Notion ou o Drive poupa copiar e colar, mas cada ligação dá acesso a informação real. Segue três regras:
- Liga uma ferramenta de cada vez, começando pela que mais usas.
- Pede o menor acesso possível: leitura antes de escrita.
- O Claude prepara, a pessoa aprova. Emails, publicações e alterações em documentos partilhados não saem sem revisão humana.
Passo 6: faz o teste dos cinco pedidos
Antes de entregares à equipa, testa o projeto com cinco pedidos reais:
- Um email de resposta a um pedido de orçamento.
- Uma publicação de LinkedIn sobre um serviço.
- Uma resposta a uma objeção de preço.
- Um pedido para o qual falta informação (para veres se pergunta ou inventa).
- Um pedido que viole uma das tuas regras (para veres se recusa ou avisa).
Se algum resultado falhar, não corrijas só a resposta. Corrige a instrução que causou a falha e testa de novo. É assim que a configuração melhora.
O que costuma correr mal
- Instruções demasiado longas. Se ocupam duas páginas, ninguém as mantém. Começa com uma página.
- Ficheiros desatualizados. Preços antigos nos documentos geram propostas erradas. Marca uma revisão trimestral.
- Sem dono. Alguém na equipa tem de ser responsável por atualizar o projeto.
- Confiança excessiva. Um bom contexto reduz erros, não os elimina. Números, nomes e afirmações legais continuam a precisar de verificação.
Checklist final
- [ ] Reuni descrição, perfil de cliente, exemplos de tom e regras
- [ ] Criei um projeto com nome claro
- [ ] Escrevi instruções com contexto, tom, regras e formato
- [ ] Carreguei poucos ficheiros, curtos e atualizados
- [ ] Verifiquei as definições de memória e privacidade do meu plano
- [ ] Liguei apenas as ferramentas necessárias, com acesso mínimo
- [ ] Defini que nada é enviado sem aprovação humana
- [ ] Fiz o teste dos cinco pedidos e corrigi as instruções
- [ ] Atribuí um responsável e uma data de revisão
Perguntas frequentes
Preciso de saber programar?
Não. Tudo o que está acima faz-se com texto e documentos.
Quanto tempo demora?
Cerca de 45 minutos para a primeira versão, mais o tempo de afinação com uso real.
Posso partilhar o projeto com a equipa?
Depende do plano. Os planos de equipa e empresa permitem partilha; confirma na tua conta o que está disponível.
E se o resultado continuar genérico?
Quase sempre falta contexto concreto: exemplos reais, clientes reais, objeções reais. Acrescenta-os.
Isto substitui a equipa de marketing?
Não. Poupa tempo em rascunhos e organização, mas a estratégia, a decisão e a aprovação continuam a ser humanas.