Todas as semanas alguém me pergunta: “Jorge, qual é a melhor IA?”. Normalmente, a pessoa já testou três ou quatro. Abriu o ChatGPT, experimentou o Gemini, instalou mais duas ferramentas que viu no LinkedIn. E continua a sentir que a IA “não é assim tão útil” no dia a dia da empresa.
O problema raramente é a ferramenta. É a forma de trabalhar. A maioria das pessoas usa a IA como um motor de pesquisa com esteroides: faz uma pergunta, copia a resposta, fecha o separador. No dia seguinte começa do zero. Explica outra vez quem é, o que vende, para quem escreve.
Neste artigo abro o meu “escritório digital”. Explico porque é que o Claude, da Anthropic, se tornou a ferramenta central do meu trabalho em marketing, SEO, conteúdo e consultoria — o que faço com ele, como o tenho organizado e onde continuo a usar outras ferramentas.
Deixei de “fazer perguntas à IA”. Passei a trabalhar com ela.
A mudança mais importante que fiz não foi trocar de ferramenta. Foi deixar de tratar a IA como um chat e começar a tratá-la como um colega de trabalho com memória, contexto e método.
Um colega novo precisa de saber quem é a empresa, como escrevemos, que regras seguimos e onde estão os ficheiros. Se lhe explicar isso uma vez, bem, não tem de o repetir todos os dias. É exatamente assim que tenho o Claude organizado.
O Claude não é a única IA capaz. Mas é a que melhor se adapta a esta forma de trabalhar, por quatro razões que explico a seguir.
Porque é que o Claude? As 4 razões práticas
Resposta curta: uso o Claude como ferramenta principal porque escreve bem em português europeu com instruções de estilo, trabalha bem com documentos longos, permite organizar o trabalho em projetos com contexto permanente e consegue executar tarefas de várias etapas com ficheiros e ferramentas ligadas — não apenas responder a perguntas.
1. Escreve como um profissional, não como um robô
O meu trabalho vive da escrita: artigos, propostas, estratégias, publicações. O Claude segue instruções de tom e de estilo com consistência — incluindo português de Portugal com o novo acordo ortográfico, que para mim é inegociável. Com um bom guia de estilo, o primeiro rascunho já sai perto do que eu escreveria.
2. Aguenta documentos longos sem se perder
Relatórios de 300 páginas, estudos de mercado, transcrições de reuniões, documentação técnica. Consigo dar-lhe vários documentos de uma vez e pedir comparações, resumos e conclusões — e ele mantém o fio à meada.
3. Trabalha em projetos, não em conversas soltas
Esta é a funcionalidade que mudou tudo. Nos Projects, cada área do meu trabalho tem o seu espaço, com instruções e documentos permanentes. Quando abro uma conversa num projeto, o Claude já sabe quem sou, para quem escrevo e que regras seguir.
4. Não fica pela conversa: executa
Com as Skills (instruções reutilizáveis para tarefas específicas), os conectores a ferramentas como o Notion ou o Google Drive e o Cowork (o modo em que o Claude trabalha em tarefas de várias etapas com os meus ficheiros), deixei de copiar e colar respostas. Peço um resultado e recebo um ficheiro pronto, guardado no sítio certo.
O que faço com o Claude: o meu mapa de uso
| Área | O que faço | Como está organizado |
|---|---|---|
| Conteúdo do site | Artigos, insights, glossários, páginas de ferramentas | Projeto do jorgerosendo.com com regras editoriais permanentes |
| SEO e GEO | Metadados, estrutura de artigos, perguntas frequentes, dados estruturados, análise de visibilidade em IA | Checklist de SEO dentro do projeto |
| Pesquisa | Estudos de mercado, relatórios, tendências, verificação de dados | Pesquisa na web com fontes citadas |
| Estratégia | Planos de marketing, posicionamento, análise de concorrência | Documentos de estratégia guardados no projeto |
| Consultoria | Diagnósticos, propostas, preparação de reuniões | Projeto por cliente, com o contexto de cada negócio |
| Redes sociais | Publicações para LinkedIn, carrosséis, adaptações de artigos | Guia de estilo e exemplos das minhas melhores publicações |
| Produtividade | Resumos de documentos, emails, organização de ideias | Conversas rápidas dentro do projeto certo |
Como o faço: o meu sistema em 5 peças
1. Um projeto por área de negócio
Tenho projetos separados para o site, para a agência e para cada cliente relevante. Cada um tem:
- Instruções permanentes: quem sou, público-alvo, tom de voz, regras (por exemplo: “escreve sempre em português de Portugal, com o novo acordo ortográfico, numa linguagem técnica para donos de empresas e diretores de marketing”).
- Documentos de referência: estratégia, guia de estilo, artigos anteriores, dados do negócio.
2. Regras editoriais escritas (e não na minha cabeça)
Tudo o que corrigia repetidamente passou a regra escrita no projeto: verificar preços antes de os publicar, não inventar testemunhos, citar fontes, manter os metadados de SEO fora do corpo do artigo. Cada correção que faço duas vezes torna-se uma instrução.
3. Skills para tarefas repetidas
Quando uma tarefa se repete com a mesma estrutura, transformo-a numa Skill. Tenho, por exemplo, uma para criar páginas da secção “Tools” do meu site, sempre com a mesma estrutura de secções. Em vez de explicar o formato, digo apenas “cria a página da ferramenta X”.
4. Ligação às minhas ferramentas
Com conectores, o Claude lê e escreve onde eu trabalho: o Notion, o Google Drive, as pastas do computador. Os artigos saem prontos, em Markdown para o CMS, com a caixa de SEO, o schema e as perguntas frequentes.
5. Revisão humana sempre
O Claude faz o trabalho pesado: pesquisa, estrutura, primeiro rascunho, formatação. Eu faço o que não delego: a opinião, a experiência, a decisão final e a verificação de factos importantes. A IA acelera; a responsabilidade continua a ser minha.
Um exemplo real: de um PDF de 384 páginas a um artigo publicado
Recentemente, recebi um guia em PDF com 384 páginas sobre agentes de IA para marketing e vendas. O processo foi este:
- Resumo estruturado do documento, com os pontos principais organizados em tabelas.
- Pesquisa complementar para confirmar e atualizar dados com fontes recentes.
- Artigo original em português, com um enquadramento próprio — e não uma tradução ou cópia do guia.
- Caixa de SEO, perguntas frequentes e dados estruturados prontos a colar no site.
- Tudo guardado no projeto, para reutilizar em publicações e na newsletter.
O que antes era trabalho para vários dias passou a caber numa manhã — com mais rigor, porque as fontes ficam registadas.
Onde NÃO uso o Claude (ou uso outras ferramentas)
Seria desonesto dizer que uso uma única ferramenta para tudo. O Claude é o centro, mas não é o sistema inteiro:
| Tarefa | O que uso | Porquê |
|---|---|---|
| Imagens e design | Midjourney, Canva, geração de imagem do Gemini ou do ChatGPT | O Claude não é uma ferramenta de geração de imagem |
| Vídeo e voz | HeyGen, ElevenLabs, ferramentas de edição | Categorias especializadas |
| Testar visibilidade em IA | ChatGPT, Gemini, Perplexity, Copilot | Os meus clientes são recomendados (ou não) em todos eles |
| Pesquisa com muitas fontes em tempo real | Perplexity, como complemento | Visualização rápida das fontes |
A minha regra: uma ferramenta central para pensar, escrever e organizar; ferramentas especializadas para o que exige especialização.
Perguntas frequentes
O Claude é melhor do que o ChatGPT?
Depende do uso. Para o meu trabalho — escrita profissional em português europeu, documentos longos, projetos com contexto permanente e tarefas de várias etapas com ficheiros — o Claude é a minha ferramenta principal. Para imagens, testes de visibilidade e algumas integrações, uso também o ChatGPT e outras ferramentas. O mais importante não é a marca, é o sistema de trabalho.
Preciso de saber programar para usar o Claude desta forma?
Não. Projects, Skills, conectores e o Cowork são configurados em linguagem natural. O mais difícil não é a tecnologia; é tirar da cabeça as regras, o contexto e os processos do seu negócio e pô-los por escrito.
Isto é só o começo
O que descrevi aqui é o meu sistema pessoal. Numa empresa, o mesmo princípio aplica-se a equipas inteiras: marketing, vendas, apoio ao cliente e gestão a trabalhar com IA que conhece o negócio, segue as regras da empresa e está ligada às ferramentas que já usam.
A diferença entre uma empresa que “experimenta IA” e uma que ganha produtividade real com ela está quase sempre na organização, não na ferramenta.
Marketing, comercial, tecnologia e IA: em 30 minutos, mostro-lhe onde a IA pode poupar tempo e gerar resultados no seu negócio — e por onde começar.